sábado, 6 de dezembro de 2008

“Um dia me disseram que as nuvens não eram de algodão...”


Um dia me contaram que aqueles floquinhos branquinhos que eu via passeando pelo céu não eram algodão, nem tampouco eram doces.
Mas eu não acreditei.
Sonhava com a luz que existe por trás daquelas brancas nuvens.
Um dia me falaram sobre amor.
E julguei ser a melhor de todas as coisas mágicas.
Um dia me falaram sobre morte.
E julgava compreendê-la, mas de mim esta foi sempre tão distante.
...até então.
É que agora as nuvens têm conceitos científicos, a luz por trás delas queima minha pele, o amor mostrou-me seu lado sem magia e a morte aproximou-se.
Descobri, mesmo em poucos anos de vida, que a magia não está presente 100% do tempo. Mesmo que esteja em todo o mundo.

As pessoas me enfurecem com a suposta maturidade que vem arrastada pelos 18 anos e essa “nova fase da minha vida” onde muitas coisas ficarão para trás. Percebo que a cada dia coisas se esquecem, pessoas somem, sentimentos desaparecem, e tudo muda. Cada ano é uma nova fase de minha vida, e isso começou lá na minha concepção. Pra quê somente aos 18 anos?
Não quero afastar a magia de minha vida. Percebo que boa parte dela é fruto de fantasias que minhas idéias mirabolam, e frustro-me temporariamente. Depois as idéias borbulham novamente: produção em grande escala de fantasias mágicas e magias fantasiadas.
Não me atrevo a ser feliz sem um sonho. Nem tampouco desejo contentar-me com o que me é imposto. E talvez mudar o mundo não seja uma idéia assim tão longe. Posso mantê-la enquanto suportar.

Enquanto isso eu gosto de crer em estrelas de brilho raro, encanto-me com as histórias de bruxaria e encaro o amor como a melhor de todas as coisas mágicas, mesmo que este não me conheça.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

A ansiedade e o medo explicam-se.
E isso acontece enquanto meus lábios ainda estão molhados dos teus.
Abaixo desse caderno em que escrevo está a Neuroanatomia, as páginas que ainda não li, e o medo que chegue 8hrs sem eu ter conseguido decorar pelos menos o Diencéfalo.
Sobrecarrego minhas funções límbicas, esqueço as cognitivas, entendo o Telencéfalo. Mas ainda não sei o praquê do Diencéfalo.
Te entendo, não compreendo e posso não aceitar.
[ Não posso?! ]
Tentativas inacabáveis, e desistências causadas por algo-que-não-tem-nome.
Um sentimento que não acontece e beijos que acabam antes de terminarem.
Acabam antes de terminarem...

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Saudades...



E eu, que não conhecia a morte, pude vê-la de perto.
Ela o levou numa noite de diversão entre amigos, mas só chegou aos meus ouvidos na tarde seguinte.
Uma batida desritmada no coração.
Armas.
22 anos.
Morte.
Um mundo em que ninguém compreende um sonho, e desconhece o que é a vida.
Desesperei-me. De um modo que nunca dantes havia me acontecido.
Os planos para o fim do ano perderam a graça. E vai faltar alguém no meu aniversário.
Olhei para aquele canto da praça em que ele se sentava na sua hora de almoço. E ele não estava lá. Nem nunca mais vai estar.
Não sei como reagir à morte.
Não penso em outra coisa senão na imagem dele, deitado. Flores cobriam-lhe até o pescoço. Seus olhos estavam fechados, seus lábios em um sorriso. Aquela paz. Ele parecia estar dormindo. E estava feliz.
Suas mãos juntas seguravam um terço. E por várias vezes pensei em Deus. Recorri a Ele como refúgio. Repudiei-o por ter levado um amigo de mim. Mas depois entendi que tinha que ser. O sorriso do Banana confortou-me: ele já está num lugar bem melhor do que o nosso. Em paz.
Então eu participei da oração ao redor daquele garoto. Olhava-o.
Foi a hora certa. É o que eu tenho acreditado.
A paz em seu rosto nos dizia isso, mesmo sem ele mexer os lábios.
Agora a Rua Nova ficou meio vazia: cadê aquele Chevetinho?
Mas a gente sabe que Você* cuida da gente aí de cima!
E Você* vai ta sempre presente entre nós!

Saudades, Banana!

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Presente-futuro

A vida continua mudando, e o medo que tinha do futuro já não me preocupa mais. O presente tem me ocupado demais! Tanto, que o futuro tornou-se apenas conseqüência desse.
Estudando para garantir o futuro.
Saindo para encontrar amigos e conhecer pessoas.
Aprendendo a beber para curtir a vida.
E estudando para garantir o futuro.
A psicologia me fascina! E minhas experiências com humanos me fazem gostar cada vez mais dessa tal ciência.
Gosto tanto que já escrevo para receber reforço.
*carinho*carinho*
O problema é que daqui a pouco *carinho* não me bastará. Que seja esperto o experimentador e mude o reforço para chocolate ou amor.
Chocolate ou amor.
Poderia movimentar-me única e exclusivamente com esses dois combustíveis. E sem nem precisar da combustão.
O hardcore no rádio me faz lembrar quem sou, e a mpb ajuda a encontrar-me.
E agora sinto vontade de chocolate.
Então lembro que amanhã, 8 h, tenho aula, Neuroanatomia Funcional.
Estudando para garantir o futuro.
O medo do futuro já não me preocupa. Mas o futuro me causa preocupação.
Então eu estudo.
Boa noite. Vou esquecer o futuro, sonhar com férias, e já volto.


[3/11 – 23h35min]

sexta-feira, 31 de outubro de 2008


É que esses dias, enquanto tentava me concentrar em qualquer coisa que passava na televisão, senti o cheiro. Aquele cheiro que não sentia há meses. Aquele que só nós dois sentíamos.
Foi do nada. Por volta dos dias em que achei ter extinguido aquele sentimento. Um sentimento que por vezes já não digo, nem mesmo escrevo. O mesmo que cheguei a dizer que já não sinto.
E o mesmo que, de tempo em tempo, me faz escrever sobre aquele garoto.
Ele era um garoto, até tornar-se homem. Ele era um homem, até perceber que é ainda um garoto.
E essa garota aqui, confundindo-se nos seus estados alternados de menina-mulher, desesperou-se ao ver esse garoto (homem?) longe de ti.
Desesperei-me. Mas já não me encontro nesse desespero. É só o vazio, que volta de acordo com o vento.
O mesmo vento que derrubou meus castelos na areia, aqueles que construí com minhas próprias mãos sob o olhar brilhante e atencioso dele.
E agora tento sentir algum cheiro de novo. Mas o único que sinto é o do cloro da água da piscina que ainda não saiu do meu corpo.
Pelo menos os textos ainda estão na 3ª pessoa, meu auto-controle por vezes funciona.
O sol ainda ta brilhando la fora, vou voltar pra piscina porque ainda não consigo me concentrar na televisão.

sábado, 18 de outubro de 2008

Parágrafo Padrão



Plano de escrita
- assunto: minha personalidade
- delimitação do assunto: como eu vejo minha personalidade
- objetivo: apresentar algumas características da minha personalidade
- público-alvo: leitores do meu blog ou curiosos apenas
- tipo de linguagem predominante: definição ou conceituação; causa e conseqüência; comparação ou confronto; analogia; ordenação temporal

Tópico frasal Eu sou uma garota com nem 18 anos, com uma personalidade difícil de se descrever. Desenvolvimento Apresento-me como estressada e por conseguinte grossa. Enquanto em contraste atenciosa e compreensiva. Caracterizo-me pela afetividade que transbordo, e também machuco-me pela mesma. Semelhante a uma criança, sou divertida, engraçada e bem alegre. Da mesma maneira sou frágil e insegura, como essa mesma criança. Ontem buscava a Terra do Nunca, atualmente junto a essa busca, fujo do Reino do Nunca Mais. Conclusão Concluo me identificando numa pluralidade de definições, afirmando a dificuldade de descrição e assustando-me com tanto padrão.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Há momentos em que nada me satisfaz.
Palavras não me seduzem.
Gestos não me atraem.
Sonhos não me bastam.
Momentos em que o silêncio me ensurdece. E o barulho me enlouquece.
E quando olho distante, me vejo correndo na direção de alguém sem face (e fui eu quem lhe arranquei os traços).
E continuo na corrida, a única na qual não me canso.
Eu corro com as lágrimas molhando-me a face, e sem nenhuma gota de suor.
Corro com um sorriso nos lábios e um brilho nos olhos.
Corro com um vento cortante gelando-me as orelhas e a ponta do nariz.
Corro.
Se andar calmamente, as pedras que formam aqueles paralelepípedos se movem na direção oposta, e carregam-me. Mesmo que contra o vento.

Há momentos em que nada me satisfaz.
Ouço a vida lá fora, os sons entrando pelas frestas da porta balcão. Protegida do frio, no meu quarto tudo é silêncio, exceto pelo tic-tac que não cessa. Enquanto por dentro de tudo: borbulhos.

A verdade é que há momentos em que nada me satisfaz.