domingo, 30 de janeiro de 2011

IV ou V ? [19.01]

Palavras organizam sua vida, mas os momentos mágicos, aqueles reais, é que realmente lhe permitem o avanço.
Avanço na vida.
No amor.
Na psiquê.
Os momentos mágicos a tiram do chão. Acompanhando aquele clichê, lhe deixam "nas nuvens".
Mas nem por isso faz com que ela esqueça de encostar os dedinhos no chão. Pelo contrário. Faz com que caminhe mais firme, e com mais segurança.
Lhe dá vontade de seguir em frente. E nunca mais parar.
Ah, os momentos mágicos!
Julia dizia faltarem palavras para descrevê-los. E o último que viveu, ah! julgava ser o melhor de sua vida. Tão intenso! Sincero e verdadeiro como nenhum outro jamais fora.
Carinhos, carícias, beijos, toques de mãos, olhares. Mãos e pernas tocando-se.
Ou simplesmente um corpo tocando levemente o outro enquanto dividem a mesma cama, sonhando.
*-*
Dois dias depois, Julia não conseguia pensar em outra coisa, a não ser naquelas 24 horas mágicas.
Horas que se eternizaram. *-*


[...]

IV [ 14.01]

E essa noite ela queria escrever. Mas não conseguia.


[...]

sábado, 22 de janeiro de 2011

III

Colocou parte do pijama, deitou-se na cama e, como de costume, pôs-se a pensar.

Lembrou da frase: “ às vezes perder o equilíbrio no amor é estar em equilíbrio na vida”. Não sabia se a frase era literalmente essa, mas gostava de acreditar que sim.
Hoje fora insana. Ultrapassara o limite de “perder o equilíbrio”.
Mas depois sentiu-se amada.
Ela descontrolou-se. Com mãos e pernas tremendo freneticamente.
Mas ele não.
Esperou o momento certo e lhe disse as palavras certas.
E Julia sentiu-se amada.
Sentiu encontrar seu lugar naqueles braços.
Braços que eram seus.
E agora mais do que nunca.

Ela sentiu ser necessária a insegurança. Pois só assim construiria uma segurança plena e verdadeira.

Sentiu o cheiro. Impregnado por todo o seu corpo depois daquela noite de amor.
Sorriu. Virou-se para o lado e adormeceu.
E eu posso jurar que ela teve sonhos mágicos.
[ com ele ;D ]

[...]

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

II

Fazia calor. Mas mesmo assim Julia foi até a cozinha e voltou com uma caneca grande cheia de leite com toddy. E estava bem quente.

Aquela tarde entediante rendeu pouco mais de uma folha. E ela não estava satisfeita.
Aproveitou então esta noite.
Esta noite em que sua mente borbulhava.
Tomando daquela caneca enquanto escrevia, sentia-se escritora. E isso era algo forte para ela naquele momento.
O momento era de ideias fervilhando.
Ferviam.
Borbulhavam.
Mas não vazavam. Exceto pelas pontas de seus dedos enquanto segurava a caneta que achou sobre a mesa da sala de tevê.
Ela não queria deixar que vissem. Ao menos não explicitamente.
Temia que não a compreendessem.
Receava que a julgassem.
No fundo, sabia que os motivos eram apenas seus. E que ninguem conseguiria alcançá-los.
Alcançá-los.
Nem mesmo ela conseguia essa proeza.
De seus pensamentos, apenas sabia. Tinha consciência de que eles existiam, mas nunca os alcançava em sua plenitude.
Sabia-os. Mas não em sua totalidade.
E era isso que lhe causava angústia.
Seus pensamentos geravam ideias de atitudes a tomar. Mas em sua maioria, de esquiva.
E ela não queria viver fugindo.
Ao ver-se como escritora, pensou nas cenas dos filmes: escritoras isoladas da família, sem qualquer relacionamento amoroso ou com qualquer outro tipo de afeto. Sabe-se lá porquê.
Mas ela não queria.
Ela sabe que tem necessidade de família, amigos. E de seu namorado.
E essa necessidade também a confunde: necessitar demais lhe torna dependente.
E isso não a ajuda a progredir.

Enquanto fingia-se escritora, fingia acreditar também que a borbulha de seus pensamentos havia cessado.
Fugia da estagnação escondendo-se nas palavras.

[...]

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

I

Ela precisava apenas de folhas pautadas e alguma caneta.
E ela tinha isso.
Existem pessoas que procuram terapeutas. Outras que ligam para os amigos. Há ainda as que comem chocolates ou sorvetes, feito americanos.
Julia também era adepta à essas soluções, mas o que lhe resolvia mesmo eram as palavras. E as combinações que elas possibilitam.
Muitas vezes sentia-se frustrada, pois julgava não saber a hora certa das palavras e por isso excluir a poesia de suas prosas. Quando criança, Julia escreveu uma história sobre “Fadas e Duendes”. Escreveu-a no computador. E quando já com alguns capítulos, insatisfeita, ela a deletou. Disse que a recomeçaria, mas nunca o fez.
E assim ela tem feito com várias outras coisas na sua vida.
Mas ela nunca deixou de escrever.
E sempre desejou criar uma história que virasse livro. Mesmo que não fosse vendida em livrarias, sonhava apenas com uma encadernação que fosse assinada por ela.


E essa tarde com o sol tentando aparecer por entre as nuvens, sentada em frente a tevê sem nada para assistir, a instigou a escrever.
Julia sentia organizar sua vida enquanto a transformava em palavras.
E nessa tarde ela sentia sua mente precisar de organização. E clareza.






[...]

sábado, 25 de dezembro de 2010

Depois de uma noite gostosa de Natal com a família e no final de um dia quente e gostoso, lembrei-me daquele texto do ano retrasado.
Insatisfação.
É ela que sempre me preenche. E quase sempre é ela o motivo de meus momentos.
Tudo tão gostoso! Mas eu não me sinto completa.
Sei que nem seria bom se me sentisse. Preencher-me apenas traria estagnação.
Mas preciso arrumar uma ocupação pra minha obsessão que insiste em dizer que aqui dentro tem vazio.
Um vazio que não sabe do que precisa. Um vazio que nada preenche.
É um vazio que aumenta com a ausência dele, mas que não se extingue quando ele está por perto.
Um vazio que não sei quando surgiu. Nem mesmo sei porque ele resolveu surgir.
Mas acontece que agora ele está aqui. E foi ele o culpado do meu texto com espírito natalino não acontecer.
Fácil, né!? É fácil arrumar a quem culpar. Livra-me da responsabilidade.
Engana-me. Fazendo-me acreditar que é possível livrar-me dessa tal de responsabilidade.
E assim eu continuo. Como não sou a responsável, despejo as primeiras palavras que me apontam na língua no primeiro que me aparecer.
Sinto meu coração bater forte. 20 anos e um descontrole inexplicável.
Sinto-me frágil sem ele por perto.
É o medo de que ele aprenda que a vida também pode ser boa sem mim.
É a maldita insegurança que anda sempre comigo. Perto como minha sombra.
E então meu olho começa a encharcar. E eu já não sei como terminar esse texto.
Nem mesmo sei porque o comecei...

terça-feira, 2 de novembro de 2010

[27/09]

Há quanto tempo que eu não escrevo nada! Estava mesmo chegando a achar que não mais conseguiria escrever...

Mas ele me inspira.
Me instiga.
Me motiva.
Ele me movimenta.

Hoje senti meu coração bater. E ele batia intensamente, fazendo de sua presença algo marcante. E há tempos eu não o notava. Ao menos não como notei hoje. Havia esquecido de como palpitava algo aqui dentro de mim. Havia esquecido que aqui dentro também há algo que me mantém viva.
Ele “de fora”, e o coração aqui dentro.
Ambos dão ritmo à minha vida.
Conversas com lágrimas em todos os olhos me fizeram crer que é preciso me movimentar.
Confesso que agora tenho vontade apenas de deitar-me nessa cama, esconder-me debaixo do edredon e sonhar que estou aconchegada e protegida nos braços dele.
Mas consciência eu já tenho. E sei que esse é o primeiro passo.
Também sei que só consciência não adianta, mas aos poucos os passos brotam.
E agora esconder-me-ei debaixo dos edredons...

Obs.: é, no plural porque o friozinho tá tenso...
Obs.1: mesóclise! o/


PS.: texto não é de hoje, mas tirando o frio ele se encaixa perfeitamente. E acho q nos últimos dias tenho sentido de forma ainda mais gostosa esse meu coração e esse meu amor...