quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

VII

E o vento fresco que agora batia em teu rosto parecendo tentar acalmá-la, a fez lembrar daquele dia com ventos fortes.

Nesse dia o vento não era fresco. Era frio e cortante. E ao invés de acalmá-la, brigava com ela. O vento frio vinha contrário ao corpo quente devido à força que fazia, pois ela o sentia desprovido de calor.
Olhava para o lado e via os carros passando rápido, correndo. Parecia que todos estavam com pressa. Olhou para o céu e o viu cinza, escuro. E esse tom misturou-se ao vento contra o qual brigava, e ela então resolveu apertar os passos e não diminuí-los. Andar com pressa, assim como iam os carros.
Achava que era a única forma.
Tinha medo de que não conseguisse.
Tudo ao seu redor eram ruídos e barulhos. E só faziam atordoar os pensamentos nos quais ela estava imersa.
Então o céu não resistiu e choveu. Mesmo assim ela não parou, seus passos eram firmes. Ela sabia do seu destino e não pararia enquanto não chegasse a ele.
E ela chegou.
Então os ruídos silenciaram, o vento parou, a chuva passou e os carros passavam em silêncio pelas ruas.
O seu coração pareceu acalmar. Então envolveu-se naqueles braços acolhedores e adormeceu. E nesse momento o único som que ouvia era o palpitar do coração daquele corpo quente, bem embaixo de onde descansava sua cabeça.
...
Ela lembrou desse dia.
E agora, mesmo com ventos frescos batendo em seu rosto, ela sentia que o tempo ainda era feio e que o vento ainda relutava em deixá-la caminhar até o seu destino.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Ela não conseguia.
Buscava palavras. Mas estas lhe faltavam.
As lágrimas nos olhos não lhe deixavam pensar. E o aperto no peito lhe sufocava.
Em sua mente, todas as cenas.
As cenas que já foram.
As cenas que já não são.

E ela ainda não conseguia. As palavras pareciam fugir, esconder-se.
Negavam serem utilizadas para tal fim...

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

VI

Por ansiar muito o futuro, Julia sentia-se decepcionada. Resolveu então dar uma vasculhada em seu passado.
Releu textos seus, antigos. E dos mais diversos.
Então sentiu a mudança.
O progresso.
O avanço.
E sentiu a essência.
Viu-se em cada texto. E enxergou-se da mesma forma que é hoje.
Tudo muda, mas a essência permanece.
Suas crises ainda acontecem. E são sempre fruto das transições, das fases. O que mudou é a forma como Julia as encara agora.
Ainda há insegurança, mas sente-se bem mais madura.
A estrutura de seus textos oscila com as fases. Ela agora sente saber usar as palavras.
Mas muitas coisas continuam: a escasses de títulos, a pontuação alternativa, e a insatisfação com inícios e términos de textos. Acontece que até nesses ela via-se mais madura.
Suas experiências lhe mudaram.
Lhe aprimoraram.
Seu convívio com aquele garoto tem lhe acrescentado muito, tornando-a uma pessoa melhor. E em todos os sentidos que a palavra melhor possa ter.

Agora, Julia enxerga o presente com mais gosto. Com mais prazer.
Olhando "de lá pra cá" ela percebeu a evolução. E o futuro é só questão de continuar caminhando...

[...]

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Pra quê desesperar-me se de uma forma ou de outra tudo flui!?
Tudo escorre e muda.
O amanhã muda o hoje.
E o ontem!? Desse são só lembranças.
[ E aprendizagens.]
Pessoas se contentam com pouco. E vivem felizes. Muitos desconhecem sobre tudo aquilo que almejo. E vivem felizes.
Por que não me satisfaço?
Desde que descobri o significado da palavra estagnação tenho medo de pô-lo em prática. E por mais ironia que pareça, eu sempre a utilizo em meus textos.
Todos me dizem para tentar. E já na primeira corrida eu sou desclassificada. Talvez não tenha treinado o suficiente.
Clichês me irritam. Mas foram eles que me confortaram hoje.
Os clichês e a voz dele.

Meus desejos não desapareceram, andam apenas atordoados, buscando um jeito de ser.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Hoje a vida me forçou.
Já não há mais disputa entre a garota e a mulher.
A vida me forçou a fingir-me mulher.
Escondi a garota debaixo da cama.
E por mais que eu queira, tenho medo de me abaixar para ver como ela está.

domingo, 30 de janeiro de 2011

V

Ela não podia botar a culpa na TPM. Nem no calor daquele dia inteiro.
Resolveu então colocar seu puff roxo na sacada de seu quarto.
Um ar fresco começou a tocar seu corpo. E ela pôde então observar. Via seu quarto de um ângulo diferente.
Passado, presente e futuro se misturavam entre as fotos, pelúcias, enfeites.
Até mesmo aquelas paredes. Eram rosa clarinho, exceto por uma lilás.
Julia lembrou que haviam coisas que só as paredes do seu quarto sabiam. E ela gostava disso, paredes tem ouvidos, mas que tenham boca ela nunca tinha ouvido falar.
Ela via seus anseios de futuro misturados à sua nostalgia. E nesse momento pensou, pela primeira vez, se não seria esse o motivo de boa parte de seus conflitos atuais.
Ela queria ser livre, mas gostava de pertencer a algum lugar. Dizia querer mudar-se para longe, onde só encontraria desconhecidos. Mas diz isso porque sabe que poderia voltar a qualquer momento. E  a qualquer momento, aquelas pessoas, aquelas que ela consegue contar nos dedos das mãos, estariam esperando por ela.
Ela quer encarar as tempestades. Mas receia abandonar o ninho quente e acolhedor.
Ela é intensa. Nos medos e amores.
Hoje, pouco após acordar, chorara. E ao lhe perguntar, Julia não soube explicar o porquê. Soube apenas dizer que sentira. E foi por sentir que chorou.
Ela queria botar a culpa na TPM, mas não podia.
Viu sua foto com ele no mural rosa: sua face é tão doce ao lado dele! *-* E então novamente ela sentiu. Seus olhos encheram de lágrimas. Ela os fechou e foi como se as mãos dele a tocassem. Acalmando-a.
Julia se achava intensa demais.
Continuou a olhar. É, seu quarto ainda era adolescente. E ela ficou com medo de que, quando o ano que vem chegar, ele ainda esteja nessa fase.


[...]

IV ou V ? [19.01]

Palavras organizam sua vida, mas os momentos mágicos, aqueles reais, é que realmente lhe permitem o avanço.
Avanço na vida.
No amor.
Na psiquê.
Os momentos mágicos a tiram do chão. Acompanhando aquele clichê, lhe deixam "nas nuvens".
Mas nem por isso faz com que ela esqueça de encostar os dedinhos no chão. Pelo contrário. Faz com que caminhe mais firme, e com mais segurança.
Lhe dá vontade de seguir em frente. E nunca mais parar.
Ah, os momentos mágicos!
Julia dizia faltarem palavras para descrevê-los. E o último que viveu, ah! julgava ser o melhor de sua vida. Tão intenso! Sincero e verdadeiro como nenhum outro jamais fora.
Carinhos, carícias, beijos, toques de mãos, olhares. Mãos e pernas tocando-se.
Ou simplesmente um corpo tocando levemente o outro enquanto dividem a mesma cama, sonhando.
*-*
Dois dias depois, Julia não conseguia pensar em outra coisa, a não ser naquelas 24 horas mágicas.
Horas que se eternizaram. *-*


[...]