sábado, 5 de março de 2011

Hoje o dia brihou, mesmo que nublado
Hoje acariciei teu rosto. Senti teus olhos e teus lábios.
Hoje cheirei seu cangote. E deslizei minhas mãos pelo teu corpo.
Hoje foram sorrisos.
Sorrisos em ambos os lábios e brilho em todos os olhos.
Hoje o dia foi fácil. E simples.
Hoje caminhamos de mãos dadas. *---*

Senti como se não houvesse tempo.
Ficamos alguns dias longe!? Parece que nem aconteceu.
Hoje a sintonia foi tanta, que pareceu que nada aconteceu.
Hoje a intimidade foi tanta, que fez esquecer as lágrimas daquele outro dia.
Hoje fomos só nós.
Dois diferentes. E ao mesmo tempo um só igual.
Não teve passado nem futuro, hoje foi só presente.

E agora, na hora de dormir, não consigo pensar em outra coisa.
Só sei que hoje o dia brilhou, mesmo que nublado. ♥

quarta-feira, 2 de março de 2011

Da minha cama, o tempo parece lento.
O tic-tac do relógio na parede não pára. Mas há tempos ele não marca a hora certa.
O celular é que guia: ele que indica os minutos passando.
Os minutos estão passando!?
Já faz alguns dias que não os vejo passar, parecem estáticos.
O tic-tac não pára, mas o tempo parece continuar se arrastando, pesado.
Acontece que por vezes o descontrole não resiste, e acaba por tomar conta desse tempo.
Gritos e portas batendo.
Lágrimas.
E logo depois a exaustão, deitada em posição fetal na cama.
Ao olhar o relógio, passaram-se três minutos.
No silêncio do quarto o tempo volta a se arrastar.
Fecho os olhos e finjo sonhar. Enquanto a única coisa que ouço é o tic-tac do pesar do tempo...

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

VII

E o vento fresco que agora batia em teu rosto parecendo tentar acalmá-la, a fez lembrar daquele dia com ventos fortes.

Nesse dia o vento não era fresco. Era frio e cortante. E ao invés de acalmá-la, brigava com ela. O vento frio vinha contrário ao corpo quente devido à força que fazia, pois ela o sentia desprovido de calor.
Olhava para o lado e via os carros passando rápido, correndo. Parecia que todos estavam com pressa. Olhou para o céu e o viu cinza, escuro. E esse tom misturou-se ao vento contra o qual brigava, e ela então resolveu apertar os passos e não diminuí-los. Andar com pressa, assim como iam os carros.
Achava que era a única forma.
Tinha medo de que não conseguisse.
Tudo ao seu redor eram ruídos e barulhos. E só faziam atordoar os pensamentos nos quais ela estava imersa.
Então o céu não resistiu e choveu. Mesmo assim ela não parou, seus passos eram firmes. Ela sabia do seu destino e não pararia enquanto não chegasse a ele.
E ela chegou.
Então os ruídos silenciaram, o vento parou, a chuva passou e os carros passavam em silêncio pelas ruas.
O seu coração pareceu acalmar. Então envolveu-se naqueles braços acolhedores e adormeceu. E nesse momento o único som que ouvia era o palpitar do coração daquele corpo quente, bem embaixo de onde descansava sua cabeça.
...
Ela lembrou desse dia.
E agora, mesmo com ventos frescos batendo em seu rosto, ela sentia que o tempo ainda era feio e que o vento ainda relutava em deixá-la caminhar até o seu destino.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Ela não conseguia.
Buscava palavras. Mas estas lhe faltavam.
As lágrimas nos olhos não lhe deixavam pensar. E o aperto no peito lhe sufocava.
Em sua mente, todas as cenas.
As cenas que já foram.
As cenas que já não são.

E ela ainda não conseguia. As palavras pareciam fugir, esconder-se.
Negavam serem utilizadas para tal fim...

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

VI

Por ansiar muito o futuro, Julia sentia-se decepcionada. Resolveu então dar uma vasculhada em seu passado.
Releu textos seus, antigos. E dos mais diversos.
Então sentiu a mudança.
O progresso.
O avanço.
E sentiu a essência.
Viu-se em cada texto. E enxergou-se da mesma forma que é hoje.
Tudo muda, mas a essência permanece.
Suas crises ainda acontecem. E são sempre fruto das transições, das fases. O que mudou é a forma como Julia as encara agora.
Ainda há insegurança, mas sente-se bem mais madura.
A estrutura de seus textos oscila com as fases. Ela agora sente saber usar as palavras.
Mas muitas coisas continuam: a escasses de títulos, a pontuação alternativa, e a insatisfação com inícios e términos de textos. Acontece que até nesses ela via-se mais madura.
Suas experiências lhe mudaram.
Lhe aprimoraram.
Seu convívio com aquele garoto tem lhe acrescentado muito, tornando-a uma pessoa melhor. E em todos os sentidos que a palavra melhor possa ter.

Agora, Julia enxerga o presente com mais gosto. Com mais prazer.
Olhando "de lá pra cá" ela percebeu a evolução. E o futuro é só questão de continuar caminhando...

[...]

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Pra quê desesperar-me se de uma forma ou de outra tudo flui!?
Tudo escorre e muda.
O amanhã muda o hoje.
E o ontem!? Desse são só lembranças.
[ E aprendizagens.]
Pessoas se contentam com pouco. E vivem felizes. Muitos desconhecem sobre tudo aquilo que almejo. E vivem felizes.
Por que não me satisfaço?
Desde que descobri o significado da palavra estagnação tenho medo de pô-lo em prática. E por mais ironia que pareça, eu sempre a utilizo em meus textos.
Todos me dizem para tentar. E já na primeira corrida eu sou desclassificada. Talvez não tenha treinado o suficiente.
Clichês me irritam. Mas foram eles que me confortaram hoje.
Os clichês e a voz dele.

Meus desejos não desapareceram, andam apenas atordoados, buscando um jeito de ser.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Hoje a vida me forçou.
Já não há mais disputa entre a garota e a mulher.
A vida me forçou a fingir-me mulher.
Escondi a garota debaixo da cama.
E por mais que eu queira, tenho medo de me abaixar para ver como ela está.