quinta-feira, 31 de maio de 2012


Então eu correria.
Lá onde a grama fosse verde eu correria.
E ai me deitaria virada para o sol que me ofuscaria com tanto brilho: eu ficaria fascinada.

Vestida com uma roupa bonita, confiante eu sairia.
Os olhares que me fossem direcionados seriam retribuídos, ou quem sabe ignorados, tanto faz. Afinal, eu estaria confiante numa roupa bonita.
Eu iria me divertir com vários copos de cerveja e com vários daqueles amigos em volta.
Chegaria tarde, e não precisaria me preocupar.
Dormiria sozinha e feliz. Só pra provar que eu não tenho medo do escuro.
No domingo seguinte, passaria horas assistindo aquele seriado que começamos a assistir juntos, só pra provar que eu posso sem você.
Eu me mudaria para outra cidade, e começaria do zero: livre, leve. Só pra provar que eu sei sozinha.
E seria fácil, uma vida regrada por mim mesma. Quem sabe com um cachorro, só pra ter de quem exigir alguma coisa de vez em quando e pra provar que esse é o meu jeito e que não mudo por nada.
Eu dormiria tranquila. Meus finais de semana seriam improvisados e planos já não fariam mais parte de mim. Finalmente eu não teria mais decepções.

Com tanto brilho: eu ficaria fascinada.


Então seria assim.
Faria tudo isso se eu pudesse controlar.
Agiria assim se você fosse outro alguém, e eu uma outra pessoa.
Eu mudaria o mundo.
E mudaria apenas pra poder me ofuscar com o brilho de um único sorriso, e ser o motivo dele.


Então seria assim...

sexta-feira, 13 de abril de 2012

V - depois de tanto tempo...

Ela sente saudades.
Das letras, palavras, poesias.
É fácil perceber que ela se cansou da estagnação: tem tantos planos, ideias e vontades, mas continua no mesmo lugar.
De vez em quando ela percebe algum avanço, algum passo dado. Mas são todos tão pequenos perto de sua sede! de sua vontade de mundo!

E aí ela continua com saudades, com vontades, com sonhos...
mesmo que com pequenos passos.






Enfim, pelo menos depois de tanto tempo ela finalmente voltou a falar sobre si mesma, ne!? Talvez isso ajude com as palavras perdidas...

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

E paro sempre pra escrever quando angústias e medos diversos me acometem.
Quando sinto minha sede de mundo maior do que minhas possibilidades.
Quando quero mais do que meus braços alcançam. Mais do que minha mente suporta.
E quando sinto insatisfação com esse mundo e me encho de vontade de mudá-lo. Transformá-lo.
E aí eu paro.
De que me adianta tantos anseios se ainda não aprendi a lidar com a angústia e não aprendi a viver com o medo?
Pra quê tanta sede se ainda sinto o espaço estreito?
Pra quê tentar esticar se meus braços são sempre do mesmo tamanho e minha mente borbulha com tantas vontades?
O que eu faço com a insatisfação se a minha voz ainda não é suficiente para chegar aos que tem poder de mudar a realidade?


Aí então eu corro. E vou pulando de pedra em pedra, de pé em pé.
Disfarço o medo e escondo a angústia no guarda-roupa.
Dou a mão à alguém e meus braços se alongam, crescem e expandem a mente e as possibilidades. 
E assim as transformações acontecem, sempre nesse processo de estagnação e consequente metamorfose.
Sempre com aquele sonho de que um dia todo o mundo vai ser diferente....

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

O mundo me surpreende, quase que rotineiramente.
Acontece que às vezes ele me assusta. Me amedronta.
Vejo um lindo bebê chegar ao mundo e fazer brotar sorrisos em todos os rostos ao redor.
Aí então eu viro meu rosto pro outro lado e vejo uma bela mulher madura buscando meios pra sair desse mundo: ela sente falta de quando sua simples presença fazia brotar sorrisos.
É difícil sorrir sem sorrisos.
E ela precisa fugir. Encontra meios pra isso...
e se descontrola.
O limite entre ser são e insano.
Um limite que não existe. A insanidade é apenas algo que todos escondemos, reprimimos.
Essa falta de sanidade só não existe nesse bebê que acabou de chegar. Delicado, ele só procura sobreviver e ser rodeado de amor. Seu mundo é leve com tantos sorrisos ao redor.
O mundo me amedronta, e eu tenho medo de assustar esse bebê.

Sabe, às vezes eu queria que o mundo parasse de me surpreender...

domingo, 10 de julho de 2011

IV

"Dependência.
das pessoas e dos sentimentos
Dependente.
do amor e do sofrimento
Desequilíbrio.
da insanidade e da consciência"


...assim Julia se perdia tentando criar poemas.

quinta-feira, 30 de junho de 2011


Olho ao redor e às vezes não reconheço.
Surgiu uma nova interface no meu velho mundo.
Assusto-me.
Mas simultaneamente, me delicio.
A interface é contemporânea. Aquela contemporaneidade cheia de velhos costumes.
Então eu me arrisco.
Tenho medo. E por vezes me desespero.
Mas eu me arrisco.
Quero sentir as novas cores, experimentar os novos gostos: almejo aumentar o meu arco-íris.

domingo, 15 de maio de 2011

Depois de mais de um mês resolvi abrir esse caderno aqui e escrever.
Deixei o computador de lado e vim pro quarto (claro que isso será digitado e depois será um post do blog, mas no caderno soa mais verdadeiro...)
Sentimentos de revolta me moveram a escrever, mas como sempre meu texto nunca toma o rumo inicial.
Um texto com esse rumo soaria imaturo demais, e eu quero exatamente o oposto disso.
Sou movida a várias ‘subjetividades’. “Eu tenho os meus desejos e planos”, não tão secretos assim. E é por eles que me movimento.
Hoje eles são mais possíveis, e mais fáceis de serem concretizados.
Eu analiso.
Observo.
Imagino.
Anseio...
E vivo com eles em mente, a fim de caminhar ao seu encontro.
Acontece que as pessoas me vêem como sonhadora. Uma boba sonhadora.
Não percebem que já não é assim, parecem não querer enxergar a realidade como ela realmente é no presente. Tentam esconder e disfarçar algumas partes.
Não os julgo. Sei que tem tanto medo quanto eu.
Acontece também que o medo do futuro já não me para, e eu continuo desejando.
Não descarto a possibilidade de frustração, trabalhar e não alcançar o objetivo. Mas ao longo do caminho vou trabalhando a tolerância à essas situações.
Meus desejos são possíveis, e querendo ou não, estão bem próximos. Basta querer enxergar.